domingo, 5 de fevereiro de 2012

EDUCAÇÃO DO CAMPO


Prof. Dr. Rudney Marinho de Souza ( História e Geografia) - Nilce ( História)
1.       Tema

Educação do Campo

2.       Certezas

·         O campo historicamente esteve desvinculado dos processos de legislação que tratam da educação, hoje há um processo oriundo de reivindicações populares;
·         Por ser o Brasil um país de colonização de exploração, por isso não houve preocupação com a escolarização de escravos e outros;
·         Na ditadura Militar o campo também ficou alheio ao processo.

3.       Dúvidas
·         A legislação vinculada à educação criou normas para a educação diferenciada ao campo, preservando seus valores?
·         A educação vigente garante ao homem do campo uma universidade voltada aos seus valores, objetivos e necessidades?
·         A escola hoje trabalha com um ensino voltado a agricultura familiar e a valorização da cultura local?
4.       Justificativa
O modelo pedagógico urbano adotado no ensino rural trouxe a ideia distorcida de que a educação no campo é uma ideia para se chegar à cidade. 
5.       Metodologia
Pesquisas bibliográficas e on-line, criação de gráficos e tabelas, produção textual,
6.       Desenvolvimento

Educação do Campo
O modelo pedagógico urbano adotado no ensino rural trouxe a ideia distorcida de que a educação no campo é uma ideia para se chegar à cidade. 
A História da educação no Brasil se inicia em 1934 com a primeira Inclusão Legislação. Os processos educativos foram tardios pois o Brasil caracterizou-se por um processo de exploração. Segundo Marx o capitalismo sobreviveu com a exploração da América Latina.
A princípio o pau-brasil, não havia necessidade de mão de obra especializada, apenas explorar o indígena e subsequente o escravo africano, processo que se alastra por 400 anos, até que em 1934 surge algo que vem reivindicar medidas para a população rural, era a um movimento internacional, a Escola Nova, que apesar da linha tradicional possuía pontos progressistas, vem a reivindicar junto a Constituição Brasileira 20% dos recursos para a Educação do Campo. Em 1937, vem a ser criada uma educação profissionalizante agrícola para o meio rural, devido ao momento histórico ser outro, não mais um momento de exploração, porém um período de República num país de características rurais. E com isso a educação urbana também vem a ser desenvolvida para o meio urbano industrial. Havia nessa época um certo preconceito com a educação rural.
Em 1967 a legislação inclui u certo compromisso das empresas agrícolas instaladas no campo, que ao servirem-se da mão de obra rural deveriam oferecer um ensino técnico. Salto evolutivo que se dá com a criação do SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que possuía o mesmo papel do SENAI. Na mesma época cada Estado institui o favorecimento do ensino rural para implementar a reforma agrária. Propostas feitas por uma elite e impostas no campo via do alto. Um discurso produzido na Lei, que muitas vezes não era posto em pratica em sua totalidade de direitos.
Em 1996 com a LDB ocorrem mudanças, ocorre a autonomia da educação do campo. O significado da educação do meio rural ainda vem a refletir a respeito de um local sem possibilidades, é um local de transição para a cidade. A elite sempre preocupou-se com a educação de seus filho, nos centros urbanos, apenas retornavam para as fazendas nas férias escolares. A escola rural nunca teve recursos, hoje lhe cabe apenas as sobras do meio urbano.
Os espaços considerados rural abrangem em sua totalidade o setor primário. Pdemos dizer que ainda existe exclusão e precariedade dentro do meio rural, por exemplo os Quilombos e os grupos indígenas.
O grande passo implementado pelas Diretrizes de 1996, traz à escola do campo um currículo de base comum para manter a equivalência entre o ensino rural e urbano. Ela passa a incluir temas contextualizados ligados a cultura, ao desenvolvimento sustentável, uma nova modalidade de atuação, o qual ainda está no papel, embora criado pela classe dirigente este veio a sanar certas necessidade locais. Provocaram mudanças dentro do ensino, pois já haviam movimentos no campo que reivindicam tais direitos.
Na medida em que a agricultura vem crescendo, o país necessita da modernização. E para tanto os trabalhadores precisam demonstrar habilidade para operar máquinas com nível tecnológico avançado. A revolução verde contribuiu para uma nova demanda, uns passariam a trabalhar em salas com ar condicionado, que no campo era algo inusitado e jamais pensado. Nesta época havia um imaginário de que a agricultura familiar desapareceria, e nela não havia sido feito nenhum investimento, e ela continuou até hoje se organizando, com a Pedagogia da Alternância, Pastoral da Terra e outros. Assim pensamos com a valorização da cultura local, que educação nós queremos para o campo? Profissionalizar o agricultor?, Extensão rural para a dominação específica de sua cultura tradicional?
Existe um grande interesse, uma necessidade de inclusão nas políticas de desenvolvimento, no entanto tais políticas apenas visavam os circuitos de produção. As políticas atingem uma população privilegiada, as grandes empresas, e o pequeno produtor tem necessidade de modenizar-se com auto sustentabilidade, com organização social de modo cooperativado, melhoria alimentar, num processo de educação rural consciente sem que destruam os elementos tradicionais destas sociedades.
A formação dos professores ocorrem nos meios urbanos. Ainda possui requícios que não vão ao encontro dos valores culturais, das necessidades produtivas e outros elementos culturais regionais. Assim é necessário que se promovam políticas de formação aos professores que vão atuar nos campos. Em 1996 algumas propostas vieram a concretizar projetos, mas ainda não há para todo o país, falta uma política bem definida, ainda a educação possui características urbanas, fora da realidade social urbana. A Pedagogia da Alternância, exatamente é um reconhecimento do fracasso, pois a educação atual é alienadora. A Pedagogia da alternância surgiu na Europa, pois o aluno saia do campo para a cidade, e não retornava pois seus valores eram outros. Assim ocorreu uma nova ideia, preparar para o campo. No Brasil temos Escolas de Famílias Agrícolas e escolas de Famílias rurais em torno de 200 escolas, mas a nível particular, não há iniciativas ainda do Estado. Esse modelo o aluno passa um período na escola e outro na família, continuando seus estudos cooperando com a agricultura familiar.
O espaço da educação no meio urbano restringe-se aos muros, e na educação rural há uma participação maior da comunidade, é a escola que muda o meio. Esse proposta contribui, por meio de movimentos de agricultores familiares, na busca de meios que venham a contribuir com uma educação do campo para o campo, visando o desenvolvimento social para o local, não se trata de uma proposta educacional não com um fim em si. Uma busca de não ser apenas uma educação, mas valorizar e qualificar o trabalhador do campo.
A relação das Universidade com a Educação do Campo começou a dar-se em 1996 em Luiziana, o 1º ENERA – Encontro de Educação e Reforma agrária, o qual veio reivindicar a participação das Universidades. Criaram o PRONERA – Programa Nacional de Educação para a reforma Agrária.
De outro lado, convém evidenciar que estamos falando do mesmo contexto de amplas lutas do “Movimento Docente” no Brasil em torno da questão da  educação pública, gratuita, de qualidade e para todos.  Se o campo não pontua aí como “questão de destaque”, de toda maneira, está entre o “todos”. A própria Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB), para o bem e para o mal, é resultante desse processo de luta que culminou em 1996. Assim, no bojo desse movimento mais amplo pela educação pública criam-se condições favoráveis à renovação do conceito de Educação Rural. Na LDB, se estabelecem obrigações ao Estado, bem como definição de responsabilidades dos demais sujeitos históricos como a família e a sociedade no que diz respeito à educação, que valem também para o campo. O estatuto da educação obrigatória, por exemplo, que já estava consignado  na Constituição de 1988, firmada como direito público subjetivo, gera conseqüências  quantitativas positivas para o campo. Igualmente, abre-se espaço para propostas de educação escolar de qualidade alternativa à conhecida Educação Rural, ou seja, a  LDB  “reconhece a diversidade sociocultural e o direito à igualdade e à diferença” (Parecer nº 36/2001, CEB/CNE).
Assim surge a possibilidade de iniciarem políticas públicas que viriam a oferecer alfabetização, pedagogia aos assentados do meio rural, inclusão das universidades nessa inclusão, o qual não partiu das universidades, mas os próprios movimentos sociais rurais que conquistaram.





7.       Considerações Finais
Sugestões:
Concepção de Escola:

·         Conhecer as experiências que estão em andamento
·         Viabilizar a implementação da Pedagogia da Alternância nas escolas do campo
·         Desenvolver processos educativos para além da escola em que os educadores se envolvam com a realidade no campo
·         Respeito a diversidade cultural, étnica, religiosa
·         Garantir a identidade dos povos do campo
·         Oferecer estrutura escolar para que os alunos do campo tenham acesso às tecnologias e suporte pedagógico para acessar ao conhecimento

CURRÍCULO

Ø  Currículo que garanta a base nacional comum e que ao mesmo tempo leve em conta a parte diversificada que atenda às necessidades do campo
Ø  Currículo precisa articular o conhecimento científico com o empírico, articulando as questões/problemas locais, buscando seu entendimento/solução

GESTÃO
• Criar um mecanismo de articulação direta entre educação, saúde e agricultura para fazer o acompanhamento e dar suporte para a permanência da mulher/homem no campo;
• Gestão participativa dos educadores, educandos, pais e mães e diversas organizações da comunidade na gestão escolar, administrativa e pedagógica, inclusive na elaboração do PPP;
• Garantir, através de eleição, os membros que farão parte do conselho escolar.

FORMAÇÃO DE EDUCADORES
• Elaboração de Projetos Coletivos com a participação dos sujeitos envolvidos
• Diagnóstico da comunidade para melhor entendimento e intervenção na realidade;
• Criar um programa de formação dos educadores das escolas do campo voltados a realidade do campo;
• Necessidade de garantir tempo de estudo e planejamento para os educadores do campo;
• Garantir a criação de cursos nas universidades que contemplem as demandas da formação de educadores do campo.


8.       Referências

SEVILLA, Guamán, Eduardo. Sobre a evolução do conceito campesinato. Eduardo Gusmán Sevilla, Manoel Gonzáles de Molina; 3ª Edição.São Paulo: Expressão Popular, 2005. 96 p.
www.uniara.com.br/mestrado_drma/arquivos/.../Lee_Yun_Feng.pdf
Projeto Educação do Campo: estratégias e alternativas no campo pedagógico. LEE YUN FENG. Orientadora: Profa. Dra. Vera L. S. Botta Ferrante. Dissertação ... em 01/02/12.

www.vianei.org.br/index.php?option=com_content...id...
Desenvolvimento de pesquisa sobre Educação do Campo: Cultura e Territorialidade, nessa pesquisa daremos continuidade a pesquisa sobre Políticas e ... em 01/02/12.

www.cefaprocaceres.com.br/index.php?option...campo...
27 maio 2009 – CONTEXTO HISTÓRICO-POLÍTICO DA EDUCAÇÃO DO CAMPO. Movimentos e articulações em defesa de um projeto educativo adequado às ... em 01/02/12.

www.epepe.com.br/.../contribuicao_da_gestao_escola_para_educaca...
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Contribuições da Gestão Escolar para 
Educação no CampoProjeto Político. Pedagógico da Concepção a Execução. Girleide Tôrres Lemos¹. Rodrigo Pereira ... em 01/02/12.

br.monografias.com/.../educacao-campo.../educacao-campo-politicas...
A expressão Educação do Campo passou a ser utilizada a partir da I Conferencia Nacional por uma Educação Básica do Campo realizada em 1998 em ... em 01/02/12.


9.       Anexos

Figura 1 - Fonte: A luta para definição de diretrizes de educação do campo... portalctb.org.br
  
Figura 2 - Fonte: Com o intuito de dá visibilidade as experiências de educação do campo ... educacaonosemiarido.blogspot.com

Figura 3 -  Fonte: Agroecologia do Território da Borborema/Movimento de Educação do Campo... mecaufpb.blogspot.com

Figura 4 Fonte: Da agricultura familiar valorizando o trabalho e a educação do campo. fw.uri.br

Figura 5 - Fonte: ... políticas públicas sobre a educação no campo, nos registros nacionais, ... cianortenews.com

video

 Figura 5 - Fonte: Power Point Educação do Campo - Arquivo Particular: Prof. Dr. Rudney Marinho de Souza